Doença celíaca em crianças
A doença celíaca pode surgir a qualquer momento depois que o glúten entra na alimentação, geralmente após os 6 a 9 meses de idade. Ainda não se sabe por que algumas crianças adoecem logo no início e outras só anos depois de já consumirem glúten. O que se sabe é que quanto mais cedo a família ficar atenta aos sinais, mais rápido vem o diagnóstico — especialmente quando já existe alguém celíaco na família, já que parentes de primeiro grau (pai, mãe, irmãos, filhos) têm cerca de 1 chance em 10 de desenvolver a doença também

Os sintomas variam muito de uma criança para outra. Em alguns casos, o desconforto aparece minutos ou horas depois de comer algo com glúten e passa em poucas horas; em outros, pode durar dias ou até duas semanas. Muitas crianças têm sintomas discretos, como gases em excesso, dor de barriga ou prisão de ventre — fáceis de atribuir a outra coisa. Já outras apresentam quadros mais evidentes, como não ganhar peso no ritmo esperado, emagrecer ou vomitar com frequência, o que costuma levar a um diagnóstico mais rápido.
A boa notícia é que a resposta ao tratamento costuma ser muito boa: a maioria das crianças e adolescentes sente melhora significativa já nas duas primeiras semanas sem glúten, e recupera altura, peso e saúde óssea normalmente com o tempo.
Os sinais mudam conforme a idade
Bebês e crianças pequenas
Nessa fase, os sintomas tendem a ser mais óbvios e concentrados no aparelho digestivo. Os mais comuns incluem:
- Vômitos
- Barriga inchada ou distendida
- Irritabilidade
- Crescimento abaixo do esperado
- Diarreia com fezes muito fétidas
- Sinais de desnutrição

Crianças em idade escolar
Os vômitos ficam menos frequentes nessa faixa etária. O que costuma aparecer é:
- Dor de barriga
- Distensão abdominal
- Diarreia
- Prisão de ventre
- Dificuldade para ganhar peso, ou até perda de peso

Crianças mais velhas e adolescentes
Aqui os sinais costumam fugir do intestino — são os chamados sintomas “atípicos” ou extraintestinais, que muitas vezes são justamente o que leva um médico a pensar em investigar doença celíaca:
- Crescimento comprometido
- Perda de peso
- Atraso na puberdade
- Dores nos ossos ou nas articulações
- Fadiga crônica
- Enxaquecas ou dores de cabeça recorrentes
- Coceira e manchas na pele (dermatite herpetiforme)
- Aftas recorrentes na boca
Nessa idade, também podem surgir alterações de humor, como ansiedade, depressão e crises de pânico.

Quando não há sintomas óbvios
Nem toda criança com doença celíaca dá sinais claros. Existem duas outras portas de entrada para o diagnóstico.
A primeira é ter uma condição de saúde associada, que por si só já indica a necessidade de testar para doença celíaca:
- Parente com doença celíaca
- Diabetes tipo 1
- Doença da tireoide
- Deficiência de IgA
- Artrite crônica juvenil
- Síndrome de Down (trissomia do 21)
- Síndrome de Williams
- Síndrome de Turner
A segunda é a criança apresentar sinais indiretos, encontrados em exames de rotina, sem ter os sintomas típicos:
- Anemia por deficiência de ferro
- Enzimas hepáticas (AST e ALT) elevadas
- Ossos mais finos que o esperado (osteopenia)
- Defeitos no esmalte dos dentes
Casos graves são raros hoje em dia
Quadros graves de doença celíaca na infância se tornaram bem incomuns. Quando acontecem, podem incluir:
- Fadiga intensa
- Pressão arterial muito baixa
- Perda importante de líquidos e eletrólitos pelas fezes
- Obstrução intestinal, chamada de intussuscepção
Histórico familiar pesa — e muito
Vale repetir: testar cedo é essencial diante dos primeiros sinais, ou sempre que houver doença celíaca na família. Pai, mãe, irmãos e filhos de alguém com o diagnóstico têm cerca de 1 chance em 10 de desenvolver a doença também.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista. Diante de qualquer sinal de alerta, procure orientação profissional para investigação e diagnóstico.
Conteúdo adaptado e traduzido a partir de material da National Celiac Association.